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12/07/2010 |
www.diarioliberdade.com (12 de julho de 2010) | Nas linhas que se seguem não há nenhum desejo de contestar o direito que, feitas as excepções devidas, cada qual tem de gozar da maneira que bem entender. Se alguém se sentir atraído pela seleção espanhola e considerar que passar a tarde vendo um dos seus jogos é uma tarefa prazenteira, pois tudo bem. Prevalece, não obstante, refletir hipercriticamente a trama geral —os interesses, os enganos, as manipulações— que tem rodeado esta gigantesca e ambiciosíssima montagem da “roja”.
A fim de assumir essa tarefa, e ainda começando com argumentos muito utilizados, o primeiro que devemos resgatar é o significado do panem et circenses, e em particular, nos tempos que correm, o que implica o do circo. Nada melhor para dominar a cidadania que aparvalhá-la com umas ou outras atrações. Nestes dias não é necessário ir muito longe para sustentar o argumento: aí estão esses milhares —milhões?— de jovens que encheram as ruas nos seus festejos pelos sucessos da “roja” enquanto preferem ignorar o cenário laboral em que se movem —aqueles que são miseravelmente explorados— ou naquele em que não se movem —aqueles que arrastam um desemprego de sempre—. Nos festejos não tem faltado, aliás, certo cheirete fascistoide e autoritário, e isto a pesar de as gentes da minha geração estarmos forçadas a reconhecer que vemos rápido de mais, atrás da bandeira “rojigualda”, adesões que não estão, sem dúvida, na cabeça de muitos jovens. O da “roja” —falo agora da engenhosa terminologia entrançada, de [...] |
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